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Viagem da Web 1.0 para a 2.0

A descoberta da comunicação instantânea começa a acontecer pela tela de um computador na era da internet. Em meados da década de 1990 qualquer cidadão comum poderia ter acesso ao que começou como um projeto para militares. Esperar os carteiros não era mais um problema: bastava enviar um e-mail que tudo estava resolvido. Nem tudo, na verdade, já que provedores que ofereciam os endereços eram pagos. Nesta mesma época, o ambiente da web proporcionou às empresas a possibilidade de visibilidade. Os sites eram quase como vitrines de produtos e serviços. Foi o estouro das empresas pontocom. Primeiro, em sucesso; em seguida, com a falência.

Muitos investidores perderam dinheiro, mas a internet não era um fracasso, muito pelo contrário. O termo web 2.0 aparece pela primeira vez explicado por Tim O’Reilly, presidente e fundador da editora O’Reilly Media, em 2004, quando buscava compreender o motivo de algumas empresas sobreviverem à crise. O resultado foi o diferencial que elas apresentavam: interatividade.

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Os serviços de provedor pagos deram espaço para conexão gratuita e o usuário, que antes era apenas mero observador do que acontecia na internet, passou a ser participante do que se produzia para esse meio. A linguagem difícil e incompreensível para a maioria poderia ser mais acessível e estava disponível para o público em geral. Fazer parte da web significa, neste novo momento, realmente fazer parte dela – produzir, escrever, comentar, opinar, participar.

A chamada “segunda geração da internet” é marcada por internautas que não se contentam mais em serem espectadores. Da necessidade de gerar conteúdo nasceu a febre dos blogs, que são páginas simples e ágeis feitas pelos usuários comuns. Uma espécie de diário em que o dono pode interagir com quem o lê. Ao mesmo tempo, jornais on-line passaram a dar mais espaço para as opiniões dos leitores, criaram caixas de comentários, newsletters, atualizações RSS, e opções como “envie o texto a um amigo”.

Com geração de conteúdo e interatividade, os serviços da internet passaram a ser, então, mais personalizados. O usuário pode montar sua página de notícias com o que mais deseja e escolher a aparência de seu site preferido para compras. O portal Submarino, por exemplo, oferece a opção de personalizar a página, além de permitir ao comprador que comente sobre um livro ou filme e dê uma nota para os produtos, que pode servir de referência de compra para os demais visitantes.

Na web 1.0, a direção era somente site-internauta. A interatividade da web 2.0 passou a ser uma marca não somente na direção usuário-site, que é o retorno desse internauta, mas também passou a permitir que os usuários se comunicassem entre si. O site Adoro Cinema é um exemplo de interação entre pessoas que possuem os mesmos gostos. Amantes do cinema buscam o filme desejado, podem ver a sinopse e fotos e escrever uma pequena crítica. Troca de recados ainda mais intensa acontece no IMDB (Internet Movie Data Base), importante banco de dados sobre cinema em inglês. Usuários registrados participam de fóruns sobre os filmes escolhidos e trocam informações.

Outro exemplo do moderno mundo 2.0 é o site Mercado Livre. Nele, usuários vendem e compram mercadorias uns dos outros e podem, depois de feita a venda ou compra, dar um depoimento sobre o sucesso ou não da negociação. Aqueles que possuem muitas estrelas são considerados mais confiáveis. É o internauta criando informação para outro internauta, assim como acontece em um dos casos mais famosos da geração de conteúdo, o dicionário Wikipedia, cujos verbetes podem ser escritos por qualquer pessoa.

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As novas tecnologias colaboram para o desenvolvimento da web 2.0. Cada vez mais, com diferentes recursos de áudio, vídeo e foto e a opção de escrever de qualquer lugar via celular, a internet torna-se mais dinâmica. Vídeos podem ser vistos e inseridos no YouTube e não há tempo a perder, como acontece com a ferramenta de miniblog Twitter, que mostra somente 140 caracteres e é a febre do momento. A febre passa, mas novas sempre chegam. E a comunicação instantânea de anos atrás, quando o e-mail surgiu, é cada vez mais rápida e diversificada. Porque a internet não deve parar somente em 2.0.

Fernanda França

Imagens: Gettyimages